A diferença entre o céu e o inferno.

A diferença entre o céu e o inferno. 27/JAN - Qualidade de Vida

Não me conformo com essa sensação de gratidão que sinto por não ter sido passada para trás. 

É muito estranho quando você se sente agradecido por não ter sido sacaneado, não é? 

É como atravessar na faixa de pedestres, aliviado por não ter sido atropelado. 

Assim me sinto hoje: estranhamente feliz e agradecida por ter conquistado algo que já era meu por direito.

Trabalho com publicidade e jornalismo desde os 16 anos de idade e de lá pra cá, os desafios só aumentaram. Coisas de gente que escolhe sempre escalar as montanhas mais altas.

Se você está lendo este texto, com certeza já passou por alguma situação de risco onde suas escolhas, as pessoas nas quais você acreditava, seus sonhos, sua integridade ou honestidade, foram colocadas em cheque.  

Em minhas andanças por aí, notei que em grande parte dos países as pessoas são consideradas honestas - até que elas mesmas provem o contrário. 

No Brasil ocorre às avessas. 

Aqui nesse país dá um trabalho danado provar que se é correto e que se tem palavra. Chega a dar medo quando a gente percebe que nem um contrato, escrito, jurado e sacramentado, não tem valor.  

Como eu, você deve ter sentido que os anos voaram nos últimos tempos, por isso eu desenvolvi uma técnica: Coloco o despertador pra tocar mais cedo, só pra passar meia horinha na cama, pensando e organizando o meu dia, antes de pegar o cavalo emprestado de São Jorge e sair batalhando por aí. 

Sim, há alguns anos tenho me sentido em um verdadeiro campo de batalha, uma expressão muito negativa para alguém com “Complexo de Poliana” como eu e por isso vou substituí-la por “Gincana”. 

A vontade de conquistar um de meus maiores sonhos tem me levado a acordar todos os dias com a impressão de que vivo uma interminável “Tarefa de Gincana”. Já me levanto imbuída da missão de encontrar as partes do mapa rasgado e sujo de lama, espalhadas por uma floresta linda, mas repleta de animais selvagens! 

Certa vez, depois de uma viagem à Bali, meu irmão me disse que um monge Budista o havia ajudado a desvendar uma de suas maiores dúvidas existenciais. 

Meu irmão queria saber a Diferença Entre o Céu e o Inferno

Calmamente o Monge respondeu: 

-- Meu filho, o céu e o inferno são iguais.

Surpreso, meu irmão continuou a ouvir a explicação: 

-- Tanto no céu quanto no inferno, há um enorme banquete com tudo o que as pessoas mais desejam para saciar sua fome - que é constante. Ao redor deste delicioso banquete, estão as pessoas esfomeadas, tentando alcançar a comida.

O problema é que cada uma delas tem nas mãos, enormes “HASHIS”, de dois metros de comprimento, que as impedem de pegar a comida e levar às próprias bocas. (“Hashis” são os palitinhos que os japoneses usam como talheres) 

Sem entender onde o monge queria chegar, meu irmão continuou a escutar.

-- A diferença entre o céu e o inferno, meu filho, é que no céu, as pessoas colocam o alimento na boca das outras.

Moral da História: 

Cerque-se de pessoas gentis, bondosas, que gostem de você e que o admirem por quem você é e pelos seus feitos ao invés de competir e invejar você. 

Com escreveu Tom Jobim: “No Brasil, o seu sucesso é uma ofensa pessoal”

Você pode chegar a sua própria conclusão mas pra mim é mais que claro que quem faz a vida um “céu” ou um “inferno” somos nós mesmos. 

Somos os únicos responsáveis pela a escolha das pessoas que nos cercam e se alguém está lhe fazendo sofrer, transformando sua vida em um inferno, a culpa é sua. 

Meu conselho: Aconteça o que acontecer, doa o quanto doer, afaste-se – urgentemente - de gente que não te faz bem. 

Que estranho vínculo é esse que você anda alimentando?

No fundo você sabe que não te faz bem mas mesmo assim insiste. 

Mas se podemos nos afastar de pessoas que nos fazem mal com mais facilidade, o mesmo nem sempre acontece com as situações que vivemos. 

Como lidar e reagir em situações onde a busca pelos nossos sonhos nos leva a passar primeiro, por uma espécie de “inferno”? 

Como, diante de tantas adversidades, desconfiança e descrença dos tempos de crise do nosso país, ter motivação para continuar e acreditar que tudo dará certo no final? 

É errado sonhar?

Deveríamos nos conformar com uma vida pacata e sem desafios? 

Eu era movida à desafios mas percebi que não são eles que me movem e sim os sonhos. 

Estou cansada de remar. 

Aos 43 anos sei que é uma fase. Só preciso de boas notícias para reanimar e elas estão chegando, à medida que melhoro a qualidade de meus pensamentos. 

Hoje sonho com um remanso de águas claras para me refrescar com minha família e poucos amigos. Contemplar a vista, ter paz e me sentir tranquila para amar, mas de repente, percebo que a culpa é dela, da vista, que para estar à altura de meus sonhos, tem que ser es-pe-ta-cu-lar.

E assim a luta continua.

Quem mandou sonhar alto? 

Coisas boas acontecem para quem é do bem mas não basta só isso, tem que ter sorte, amigos de verdade, bons relacionamentos profissionais, alguém para te apoiar nas horas em que você pensar em desistir e também, fazer por merecer.

Termino essa reflexão contente por dividir isso com vocês e com a esperança de ajudar alguém a não desistir de seus sonhos.

Te ajudei? 

Grande beijo e sorte na vida sempre!

Por Gabi Monteiro

 

 

Gabi Monteiro 2017. Todos os direitos reservados

Cereja.in